terça-feira, 27 de setembro de 2011

Por que só Rock in Rio?


     Não resta dúvida que o festival de músicas Rock in Rio tem como essência o “rock”. Seria ilógico esperar tal festival com 80% de Samba e Pagode e o restante do mais puro “rock and roll”. Mas e o que é, pela concepção da palavra, o rock? Se ele possui raízes no “blues” ou na “música country”, então esse ritmo, esse estilo de música, não é propriamente único, assim como uma fórmula matemática. Subgêneros como o soft rock, o glam rock, o heavy metal, o hard rock, o rock progressivo, o punk rock, e mais recentemente o pop rock ganharam espaço no mundo da música. Cada um deles tem características próprias e não seguem um modelo fechado e metódico.
     Um festival grandioso, de projeção mundial, como o Rock in Rio, não pode privilegiar apenas um desses subgêneros em detrimento de todos os outros. A maioria dos fãs do Angra, por exemplo, jamais ficaria para apresentações de bandas com músicas mais leves, e vice-versa. É tudo uma questão de gosto. O Rock in Rio já demonstrou em suas edições anteriores que tem como proposta o ecletismo musical. Falta, talvez, melhor senso dos organizadores para não colocar um Carlinhos Brown no mesmo dia de uma banda hardcore. O público da vez não simpatiza com o primeiro estilo. Se a proposta fosse ser um festival mais fechado, que ele se chamasse Heavy Metal in Rio, ou algo parecido.
     A cobertura do espetáculo, feita pela mídia, é uma atração à parte. Os canais de TV que transmitem os shows elogiam até o tipo de parafuso usado na armação da barraquinha de cachorro quente. Os veículos midiáticos que não tem direitos de transmissão já preferem explorar os “defeitos”. É uma briga pela audiência. A revista Veja, com alta vendagem no território brasileiro, elaborou uma página na internet (www.veja.com.br/rockinrio) para falar sobre o festival e a programação. No site em questão, as bandas que se apresentam são analisadas por uma equipe da revista. Lá, eles dão “dicas” para quem vai assistir aos shows e diz qual banda merece ser vista e qual não merece. E é ai que começa o erro.
     Para eles, a competente Joss Stone merece ser vista por todos, sem exceção – o que não vale para o Capital Inicial, que, segundo eles, é uma banda “parada no tempo”. Para falar com conhecimento de causa, vou citar a banda mexicana Maná que vai se apresentar no dia primeiro de outubro às 21h30.
     O grupo mexicano tem projeção mundial, e é muito admirado em toda a América latina, com exceção do Brasil. Na lista das “15 atrações dispensáveis do Rock in Rio” do site da Veja, é dito o seguinte sobre o Maná: “Os mexicanos da banda Maná só têm cara de maus. No fundo, são românticos inveterados que tocam músicas igualmente melosas, apreciadas somente por quem está cego – e surdo – de paixão. Se não for o seu caso, o melhor é investir em outro programa”.
     Quem já escutou todas as músicas de todos os CDs que lançaram sabe muito bem que a banda está muito longe de ser “melosa”. A música “Donde Jugarán los Niños” é exemplo disso. A melodia (algo de pop rock) fala sobre a destruição do planeta e o que vai sobrar para as futuras gerações – detalhe para o fato dessa música ter sido feita em 1992, já que o tema é muito atual. “Falta Amor” conta a história de um garoto de rua de oito anos de idade e suas batalhas diárias para sobreviver em uma sociedade que não cuida das crianças. “Cuando los Angeles LLoran” é uma belíssima homenagem a Chico Mendes. “Latinoamérica” trata-se de um rock que faz crítica ao desrespeito e discriminação que sofrem os povos da América latina.
     Enfim, em tal festival, cada artista, cada músico, cada banda tem uma mensagem diferente para passar, e cabe ao público que lá está permanecer ou não na platéia. Se não gosta de Metallica, pegue suas coisas e saia para dar lugar aos fãs. Se não gosta de Jota Quest, saia de cena e espere uma banda no estilo Red Hot.
E aos dinossauros enferrujados da mídia fica a dica: não esqueçam que “toda unanimidade é burra” e que a confraternização e o respeito entre diferentes culturas levam à Paz.